segunda-feira, 10 de março de 2008

Madrugada vai embora
Noite adentro rapidinho
Zune longe o som de uma viola
Como se ouvisse um radinho

Rompe o dia em alento
Sem terço, reza ou benzeção
Cantilena, seresta ou sacramento
Que nos chame a atenção

Chega a tarde sem demora
Com pressa e prontidão
Criançada volta da escola
No horizonte a multidão

Volta a noite em grande estilo
Cintilando brilhantes no céu
Eu cá penso aqui mô filho
O que faço eu? palavras ao léu?



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Alguém viu o Eclipse?

Haviam me dito da Lua
Astro-Rainha
Que mira o Rei Sol
De longe em dia de Eclipse
E acompanha seus passos
Escondidinha, escondidinha...

Disseram que a Terra atravessaria seu caminho
E a Lua escureceria de ciúmes
Mas ninguém viu essa novela
Pois jorrou muita água na Capital
O Céu, nervoso, chorara de apreensão...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Linea inalámbrica como metáfora para a intuição.

Ôpa, tamos aí novamente. Gente, esse assunto de linea inalambrica depois que a gente começa a levá-lo a sério é muito interessante mesmo. Intuí uma outra metáfora para esse negócio: o próprio fenômeno da intuição. Isso mesmo. Vejamos bem um exemplo.
Estava eu no trabalho conversando com um colega -- o digníssimo filósofo do futuro Daniel BC (que tem nome de MC, mas é pop-antenado em psicooldelias outras). Comentávamos sobre o atual escândalo sobre as relações duvidosas entre o reitor da UnB e a Finatec (assunto por si só indigesto e que não merece maiores desdobramentos nesse espaço, já que o próprio Jornal Nacional fez o favor de colocar em seu massacrante ventilador). Não sei por que cargas d´água chegamos a uma discussão sobre o "estado de exceção". Segundo me lembro inalambricamente o que o colega falou, esse conceito se refere a uma lei ou norma que possui aspectos que podem anular ou contradizer a existência dela própria, ou seja, que se confunde em seus termos ou que serve para privilegiar interesses nem sempre os mais dignos e idôneos. Não precisa dizer que isso no Brasil é algo raríssimo... Um exemplo: a carta divulgada pelo reitor e pela assessoria jurídica da Finatec informando que uma norma interna, assinada pelo próprio Ilustríssimo, prevê que cabe àquela Fundação cuidar de algumas despesas do Reitor. Já que havia isso previsto normativamente, não era ilegal. E não sendo ilegal, era passível de contra-argumentação, etc.
Lembrei-me imediatamente de um espetáculo teatral que havia visto: "A alma imoral" (http://www.almaimoral.com/), interpretado por Clarice Niskier e baseada no ensaio do rabino Nilton Bonder. Uma das teses principais desse texto magnífico e que me fez chorar é a distância interpretativa entre o "bom" e o"correto". O "bom" nem sempre é o "correto", assim como o oposto também não opera nos mesmos moldes. O fato de existência de uma norma, que é a representação do "correto", não necessariamete a torna uma dimensão do que é "bom". Ou seja, O "correto" pode querer disfarçar-se de "bom" quando interesses obscuros estão em jogo. O comportamento resignado diante da lei, seja ela qual for, pode nos colocar em situação de impotência, mesmo irrefletidamente, e tendemos, assim, a acatar a legalidade, mesmo desconfortavelmente. Está instaurada a tensão entre a moralidade -- representada pela norma ou tradição -- e a imoralidade -- representada pela alma ou traição: inquietação, vontade do espírito que clama, que urge, que aquece os ouvidos, que instaura a salivação, mexe com os nervos...

Voltamos então ao tema da intuição. Após fazer um comentário com o Daniel sobre a "alma imoral", abri meu e-mail e o que encontrei? Uma resposta da Clarice Niskier a uma mensagem que havia lhe enviado parabenizando-a pelo espetáculo. Mas rapaz, me arrepiei todo! Acabara de ter captado inalambricamente a vibração daquele tema, exatamente no momento em que ela talvez tenha apertado o "enter" de seu computador para enviar a mensagem em resposta. Acho que por isso vale a pena reproduzir aqui o conteúdo de nossas mensagens como homengem à Santa Intuição. Que há de nunca nos abandonar:

Marcus: "Olá Clarice e toda equipe do espetáculo. Quero parabenizá-la por ter tido a capacidade de mobilizar as platéias Brasil afora com temática tão interessante. Confesso que por várias vezes marejei meus olhos tamanha a densidade desse texto, ao ponto de acessar dimensões subjetivas e míticas de nosso estar no mundo. A leitura dos textos sagrados feita pelo Bonder e a performance de sua escrita que você realiza são, em minha modesta opinião, dos mais felizes encontros de nossa dramaturgia teatral contemporânea. Mais uma vez, parabéns! Voltem a Brasília!"

Clarice 12/02/2008: "Oi Marcus. Muito obrigada. O tema da Alma Imoral é um tema muito bonito mesmo, e como voce diz: toca na nossa dimensão mítica. São aquelas "certezas anteriores à razão". Fico muito feliz com seu e mail e tomara mesmo que a gente volte à Brasilia. Foi muito especial fazer a peça aí. Beijos"

Marcus 12/02/2008: "Clarice, esse tema, esse universo do espírito que clama por libertação de amarras, de caixas, de classificações objetivas é realmente um mistério. Veja só, havia acabado de comentar com um amigo aqui do trabalho sobre o seu espetáculo e sobre o livro do Bonder num contexto de discussão sobre o estado de exceção (leis que emperram seus próprios funcionamentos, etc) quando abro a caixa de mensagens e vejo que me respondestes o e-mail que havia lhe enviado. Bem, eu acredito na intuição que talvez seja o momento em que esta alma imoral que nos habita encontra um fiapinho de brecha para se manifestar... e a intuição é algo que acessamos tão pouco porque estamos a maior parte do tempo desligados (ou ligados demais?). Feliz sincronia essa. Grande abraço."

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Foi carnaval debaixo de chuva e cacetetes na capital

Mais um bom assunto para refletirmos sobre fauna e territorialidade nesse espaço brasiliense. No entanto, não falemos mais de pombos, ao menos por agora. Apesar de que, enquanto estou aqui escrevendo (e você lendo), os penosos estão lá, no complexo Complexo Cultural da República, a reproduzirem-se...
Amigos, captei em linea inalambrica, pouquito depois do ocorrido, a notícia estranha de que havia acontecido um "riot", um choque típico daqueles que rolam nas grandes manifestações anti-consumo, anti-repressão, anti-qualquer coisa lá no mundo ultra-pós-civilizado. Estava eu chegando para ajudar a reforçar o bloco do Galinho de Brasília, levando comigo toda a animação que foi possível mobilizar para brincar o carnaval da(ou "na"?) capital, quando ouço o assunto de que a polícia havia descido o cacete na turma poucos minutos antes, na altura das quadras 203/204 sul. Gente, fala sério! Não quero, não posso, não serei neutro (Babe, grato pelo recente toque sobre o estatuto da neutralidade que, se presta, só presta para fazer sabão...). Não dá para ser neutro, no entanto, é possível captar inalambricamente o contexto, as versões e seus desdobramentos para repetir o que sempre costurmo dizer: "ô cidadezinha sem função essa Brasília!", tipo neutra mesmo, num é? O pior é que não é responsabilidade das pessoas não, seja lá de que classe social forem, acho que nem mesmo dos pobres diabos policiais. Isso é responsablidade do traço, da reta, da escala, da ordenação, da lei...todos esses substantivos sem nome nem sobrenome, quiçá, responsabilidade. Como pode, a polícia montada em furgões blindados e armada até os pêlos intervir no espaço público onde as pessoas aglomeram-se para cumprir a sagrada devoção do carnaval? E aqueles adereços? Esprei de pimenta, bala de borracha, lança-chamas, escada magiros, escudos, cacetetes...
Ei, foda-se se estamos na Brasília planejada, urbanizada, centralizada, centro do poder, modelo! É carnaval e como toda festa santa deve ser respeitada pela polícia ou quem quer que seja. "Ah", diria um suposto representante de um dos lados da quizumba, "estavam mijando, trepando, fazendo barulho demais fora do horário permitido ..." E quem disse que carnaval de rua tem hora pra acabar? Que o carnaval espetáculo que envolve profissionais, logística, recursos, etc acabe eu até aceito, mas e o carnaval interno? O desejo subjetivo de êxtase das pessoas sozinhas ou em grupo? Esse não, o cidadão tem o direito de usufruir desta prerrogativa enquanto durar oficialmente a nossa festa mór. Ora, como pode? "Ei povo, já passou da hora de ficarem por aí sorrindo, divertindo, alegrando-se, extravasando...tá na hora de todo mundo voltar direitinho pra casa..." Fala sério... Mas não, o negócio é reprimir, pois carnaval aqui não pode ser, não pode existir. Só há porque no fundo bate uma nostalgia de que no passado foi possível não estar em Brasília e que no futuro, se Deus quiser, será feito o possível para também não ficar por aqui. Mas nessa indecisão e impossibilidade, eis, carnaval em Brasília, presente contínuo. Talvez porque amamos essa cidade complicada e compartilhamos da agonia de seu diversificado carnaval para todos os gostos: em frente a TV, abaixo do teto, em baixo de sol, em baixo de chuva, de baixo d@ outr@, de baixo de cacete...

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Filosofias ovo-high-tech-cult- modernosas. Ou por quê Linea Inalambrica?

Por quê "linea inalambrica"? Bom, este nome significa em español o que nós aqui no Brasil chamamos de "wireless", ou seja, aquele dispositivo que há nos "notebooks" e que serve para conexão de internet sem necessidade de fio, cabo ou congêneres. A metáfora imediata que me surge é a daqueles temas que assuntamos por aí, sem maiores pretensões, ou os quais entabulamos pretenciosamente alguma reflexão momentânea em inequívocas conversas informais, em mesas de bar, em cafés e na sesta -- costume importantíssimo para o bem-estar humano e que por estas plagas não existe oficialmente assim como no mundo hispânico, mas que acontece de fato, possivelmente por incitação e cintilações de nossa animalidade.
Ah...a sesta? Sim, a sesta que não é cesta e que acontece impreterivelmente de segunda a sexta é aquele delicioso intervalo entre o almoço e o retorno ao trabalho. Na España, por exemplo, vigora entre as 14h e 17h. Nada acontece no santo horário da refeição e na posterior horinha e meia
sublime em que se é expressamente recomendável a dedicação ao ócio improdutivo. No Brasil, isso não é oficial nem costumeiro, mas meu, é oficioso e habituoso (?)! Pergunta óbvia: é possível produzir no mesmo ritmo qualquer coisa logo após a sagrada refeição do almoço? Não...resposta lógica. Aí, temos que fingir que estamos produzindo ou mesmo nos esforçarmos para produzir a desculpa ou a justificativa de não produzir...Melhor seria economizar essas energias na não ação, na aceitação e concordância com essa realidade, esse desígnio de uma condição animal pulsando lá no fundo. Entretanto esse assunto é meio tabu, pois o país tem que crescer...tem que desenvolver...blablas...
Mas voltando ao assunto da "linea inalambrica". Como vemos é uma metáfora comunicacional de algo captado sem necessariamente termos em mãos um suporte visível de transmissão de dados ou informações - um cabo, um fio, etc. É algo muito próximo metaforicamente, repito, àquelas notícias, causos, idéias, piadas, charlas, picardias, assuntos, conversas de boteco que ouvimos por aí. Faz-nos pensar, refletir, transformar ao ponto de quando recuamos no tempo, no espaço e no início do assunto não conseguimos de imediato detectar de onde vem-- e claro, se projetarmos pra frente, nem pra onde vai -- a tal conversa. Captei em linea inalambrica tantas coisas já nesse mundo...Algumas delas, graças ao bom Deus e aos meus parcos neurônios seletores de frequência (valeu B Negão e sua trupe!), transformei, esqueci, acrescentei, rememorei, ...ou seja, inter-vi, inter-senti, inter-inquiri...pronto: internetei!


Uma estória internetada mais recentemente é a do atual problema de desequilíbrio ecológico que a Esplanada dos Ministérios está passando. Não, não caro leitor, não se trata de nenhum novo escândalo político, nem das novas medidas sobre a "preservação" da Amazônia, nem mesmo a um novo apelido animalesco atribuído a algum parlamentar com traços exóticos e comportamento estranho no interior daquela selva que é o parlamento. Não, nananinanão. Falo da migração de revoadas e revoadas de pombos vindos da Praça dos Três Poderes em direção ao recentíssimo, moderno, inovador e atraente Complexo Cultural da República. Complexo este...humm... complexo Complexo este que inclui o Museu de Arte Moderna e a Biblioteca Nacional. O primeiro não sei, nunca entrei e nem me senti atraído assim como os pombos que, talvez por nascerem de um ovo, têm por essa forma geométrica -- e tropo filosoficamente instigador para reflexões existencialistas -- uma atração inconsciente: "quem veio primeiro?"
Já a Biblioteca ainda não tem acervo, no entanto é, mesmo assim, destino desses pombos psicanalizados. Ali estão constituindo famílias extensas, extensíssimas e em condições bastante agradáveis de reprodução on line. Acontece que, voltada para o poente do sol causticante do planalto central, a Biblioteca e seus icônicos arcos niemayerianos de concreto armado e metal se transformou numa verdadeira chocadeira para os graciosos ovinhos carinhosamente botados ali por essa famílias de pombos intelectuais. Encontram então condições ideais de reprodução em intervalo menor de tempo, já que o calor ajuda na maturação dos ovinhos e na sanha reprodutiva tropicaliente dessa elite penosa.
Não vou falar dos acervos que deverão rechear o ainda insípido lugar e que podem ser tostados ou serem a própria matéria-prima de um futuro incêndio auto-induzido. Nem vou falar do cocô desses pombos bem-nascidos que de tão ácidos e em tão consideráveis proporções já estão comprometendo as estruturas do complexo Complexo. Não amigos, vou relembrar a informação essencial e que qualquer "linea inalambrica" mais dedicada também captou por aí: a conta do trem é para mais de cento e cinquenta mil por mês! E olha que ainda não foi realizado o estudo técnico-científico que irá propor o "manejo ecológico das elites pumbleas hospedeiras do Complexo Cultural da República". Pensemos, reflitamos sobre os custos de mais essa medida mitigadora dos impactos desse empreendimento sobre a população de pombos e de gentes do Distrito Federal...!?

Ps1: Abaixo estão dois croquis/esboços que apresentam informações confidenciais acerca das raízes ocultas e profundas -- entretanto agora possivelmente desvendadas -- sobre a atratividade que tais monumentos exercem nos pombos. O primeiro desenho mostra o processo embrionário de um ovo. O segundo é inspirado precisamente em uma chocadeira high tech. Pronto, estão criadas as condições ideais de atração, produção, reprodução e habitação de nossos companheiros símbolos da paz.






















Ps2:. Falando-se em pombos e noutros penosos, não posso me esquecer da inalambrica constatação que salvo algum tilt em meu HD foi enunciada pelo nosso cronista-poeta-filósofo-punk-nefelibata Lelê Teles: “Malandro é o pardal que não canta, porque senão vai preso”. Disse tudo!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Clipe no You tube


Gente, certa feita coloquei no you tube um vídeo d´eu tocando uma composição minha na violinha caipira. Chama-se "Alembrança" e foi composta em homenagem a uma pessoa inesquecível. Se alguém se interessar, tá na mão. em breve mais estripulias sonoras, fotográficas, existenciais e viajeras. http://www.youtube.com/watch?v=2K7h8lHmFj4

Eita que cheguei!!!

Certo dia um grande amigo me sugeriu montar um Blog. Era novidade na época e eu nem sabia do que se tratava. Bem, o tempo passou e eu andei acessando uns espaços virtuais de uns amigos aí afora e resolvi, agora, nesse momento criar um e fazer parte da comunidade do Blog. Já não bastava o orkut, o multiply, o recanto das letras...Não, não bastava. Agora sou também blogueiro e vez ou outra postarei umas besteirinhas de quem não tem muita ocupação na vida, que é o meu caso graças a minha falta de iniciativa, preguiça e zelo com as coisas boas da vida. Inclusive com o trabalho que, como todo medicamento, tem que ser aplicado na hora certa e em doses controladas e moderadas, em especial quando é um antibiótico daqueles que nos impede de tomar uns tragos, que brocha, que fode o estômago...Voltando ao Blog, não sei, vamos ver no que dá. Se for pra continuar assim como o orkut e congêneres em que praticamente sou eu que acesso sozinho, desito. Mas quem sabe um dia meu blog, o agora denomidado "linea inalambrica", fique que nem o fatosnefastos.bloggspot do Lelê Teles, esse poeta/cronista/punkperiferia do marketing nefelibata. Quem sabe? É isso gente, vamos lá.